No orçamento de um implante, "regeneração óssea" é a linha que mais desconfiança gera. Parece um extra inventado. Não é — e este artigo explica exatamente porque existe, quando é mesmo necessário e o que envolve.
Porque é que o osso desaparece
O osso maxilar existe para suportar dentes. Quando um dente é perdido, a zona deixa de receber os estímulos mecânicos da mastigação transmitidos pela raiz, e o organismo reabsorve o osso que já não considera necessário.
A perda é rápida no início — cerca de 25% da largura no primeiro ano — e continua depois de forma mais lenta, mas constante. É por isso que quem perdeu um dente há quinze anos tem frequentemente menos osso do que quem o perdeu há um ano. Utilizadores de prótese removível durante anos tendem a apresentar reabsorção ainda mais acentuada, porque a pressão da prótese sobre a gengiva acelera o processo.
Como se sabe se é preciso
Só há uma forma fiável: TAC 3D (CBCT). A radiografia panorâmica mostra altura aproximada, mas não mostra largura nem qualidade óssea — e é frequentemente na largura que o osso falta.
O exame permite medir milímetro a milímetro o volume disponível, avaliar a proximidade do seio maxilar e do nervo dentário, e decidir antes da cirurgia se o enxerto é necessário. É também o que permite dar um orçamento fechado desde o início, em vez de descobrir a necessidade a meio do procedimento.
Os tipos de enxerto
Regeneração óssea guiada (a mais comum). Coloca-se um biomaterial granulado no defeito ósseo, coberto por uma membrana que impede o tecido mole de invadir o espaço enquanto o osso se forma. O material funciona como andaime: o osso do próprio paciente cresce através dele e substitui-o progressivamente.
Os materiais podem ser de origem bovina, sintética ou humana processada — todos com regulação europeia e ampla utilização clínica documentada.
Elevação de seio maxilar. Específica da zona posterior superior, onde o seio maxilar limita a altura disponível. A membrana que reveste o seio é cuidadosamente elevada e o espaço criado é preenchido com biomaterial. É o procedimento mais dispendioso e o que exige mais tempo de espera — e também aquele em que a recomendação de não voar durante cerca de 6 semanas é mais importante.
Enxerto autólogo (osso do próprio paciente). Colhido de outra zona da boca (ou, raramente, de fora dela). Tem excelente capacidade regenerativa, mas implica um segundo local cirúrgico. Reservado para defeitos extensos.
Simultâneo ou faseado?
Simultâneo — enxerto e implante na mesma cirurgia. Possível quando ainda existe osso suficiente para dar estabilidade inicial ao implante. Vantagem óbvia: uma cirurgia, um tempo de espera.
Faseado — primeiro o enxerto, depois o implante, com 4 a 9 meses de intervalo. Necessário quando o defeito é grande e o implante não teria estabilidade.
A decisão é técnica e toma-se com o TAC 3D à frente, não por preferência.
Recuperação
Semelhante à de um implante: inchaço com pico às 48-72 horas, desconforto ligeiro a moderado controlável com medicação, dieta mole durante alguns dias. Após elevação de seio, acrescem cuidados específicos — não assoar com força, evitar espirrar de boca fechada, e não voar durante o período indicado.
O tabaco é, também aqui, o principal fator de risco: compromete a vascularização de que o enxerto depende para integrar.
Quando desconfiar
Duas situações merecem uma segunda opinião: um orçamento de implante sem qualquer menção a TAC 3D (não é possível avaliar corretamente a necessidade de enxerto sem ele), e a proposta de enxertos extensos sem que lhe mostrem as imagens que os justificam. Um plano sério explica-se com as imagens à frente do paciente.
Saiba mais na nossa página de implantologia ou veja como é a cirurgia de implante passo a passo.
Este tema tratado na clínica
Se quiser passar da informação ao caso concreto:
Ficou com uma dúvida sobre o seu caso?
Deixe o contacto. A equipa liga de volta para esclarecer e, se fizer sentido, marcar uma avaliação.